Durante as celebrações dos 60 anos do Banco Central (BC), nesta quarta-feira (2), a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, destacou a importância crucial da instituição para a estabilidade da moeda brasileira e o controle da inflação no país. Em seu discurso, ela sublinhou que, embora o BC possua autonomia, há uma cooperação constante entre a autoridade monetária e a equipe econômica do governo federal, em uma relação de harmonia mútua.
Tebet enfatizou que, talvez, o que falte ao Brasil seja uma compreensão mais profunda do papel e da relevância do BC, e o que a estabilidade da moeda representa para a vida cotidiana dos brasileiros. “Quando falamos de estabilidade na moeda, estamos nos referindo ao controle da inflação. E, ao falarmos de controle da inflação, estamos garantindo que o suor do trabalho de cada trabalhador e trabalhadora resulte em poder de compra, permitindo que ele ou ela vá ao supermercado e adquira o que precisa”, explicou.
Para a ministra, o BC enfrenta o desafio de cumprir com sua missão de gerir a política monetária, ajustando os juros conforme necessário. No entanto, ela ressaltou que esse equilíbrio deve ser cuidadosamente ponderado, especialmente em um país com grandes desigualdades sociais como o Brasil.
Ela expressou otimismo em relação à trajetória da economia brasileira, observando que os números indicam que o país está no caminho certo. Porém, segundo Tebet, é essencial que a inflação seja combatida de forma eficaz. Embora tenha reconhecido que essa é uma tarefa difícil, a ministra previu que, nos próximos 60 dias, se tudo correr conforme o esperado, já será possível observar uma queda nos preços, especialmente dos alimentos, o que permitiria ao BC avaliar uma possível redução na taxa de juros no segundo semestre.
Desafios globais e harmonia interna
Tebet também abordou os desafios impostos pela economia global, destacando fatores externos que podem impactar a inflação mundial e, consequentemente, a inflação brasileira. Ela enfatizou que, embora o Banco Central seja uma instituição independente, existe uma harmonia entre o Poder Executivo e a equipe econômica do governo, e que essa colaboração é fundamental para enfrentar os desafios atuais.
A ministra ressaltou ainda a relevância do Conselho Monetário Nacional (CMN) – composto por ela mesma, pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo. Segundo Tebet, o CMN tem desempenhado um papel essencial ao garantir um “porto seguro” para as políticas públicas, permitindo que o setor produtivo usufrua dos benefícios necessários na medida certa.
Outro ponto importante mencionado por Tebet foi a necessidade de revisar os gastos tributários, que representam uma renúncia fiscal de quase R$ 600 bilhões por ano. Para ela, algumas dessas renúncias são justificáveis, mas muitas precisam ser reavaliadas, a fim de promover um maior equilíbrio fiscal e uma alocação mais eficiente dos recursos públicos.
Continuidade e defesa do país
Ao observar a presença de ex-presidentes do Banco Central no evento, a ministra destacou que esse tipo de continuidade institucional é fundamental para fortalecer as políticas públicas e garantir estabilidade para o futuro. Ela citou o exemplo do sistema de pagamento PIX, uma evolução importante no setor financeiro, como um reflexo positivo dessa harmonia e continuidade no país. “Estamos defendendo um país, não uma ideologia”, afirmou.
Por fim, Tebet comentou sobre o desafio de explicar ao mundo por que o Brasil, mesmo com altas taxas de juros, ainda não consegue combater de forma eficaz a inflação. Para ela, esse dilema pode ser superado ao redescobrir as potencialidades do Brasil, investindo em áreas como a transição ecológica, energias renováveis e a Reforma Tributária, com o objetivo de construir um país mais justo, menos desigual e, acima de tudo, mais humano.
A cerimônia contou também com a presença de autoridades governamentais, ex-presidentes do Banco Central e representantes do setor financeiro, que reafirmaram a importância da instituição para a estabilidade econômica do Brasil. Durante o evento, um selo institucional foi lançado para comemorar os 60 anos do BC.