Recuperação do Cerrado pode gerar empregos e ajudar Brasil a cumprir metas climáticas

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O Cerrado, conhecido como a “caixa d’água do Brasil”, desempenha um papel vital na sustentabilidade do país. Sua recuperação pode ser crucial para que o Brasil atinja suas metas climáticas, ao mesmo tempo em que contribui para a produção de alimentos, gera emprego e renda e recupera as nascentes essenciais para garantir o abastecimento de água tanto para a agricultura quanto para as hidrelétricas.

O estudo divulgado pelo Instituto Escolhas, “Quanto o Brasil precisa investir para restaurar o Cerrado?”, revela que a recomposição da Reserva Legal através de sistemas de produção madeireira pode gerar 942 mil metros cúbicos de madeira. Já a recuperação das Áreas de Preservação Permanente (APPs) por sistemas agroflorestais, pode produzir até 26,6 milhões de toneladas de alimentos, exigindo a produção de 3,7 bilhões de mudas.

Com um investimento estimado em R$ 132 bilhões, a restauração do Cerrado pode gerar até 1,8 milhão de empregos e trazer uma receita líquida de R$ 781,3 bilhões. No entanto, o bioma enfrenta um grande desafio: são 6 milhões de hectares desmatados que precisam ser restaurados, o que representa metade da meta do Brasil no Acordo de Paris, de plantar 12 milhões de hectares de florestas até 2030.

Além dos benefícios econômicos, a recuperação da vegetação do Cerrado também pode desempenhar um papel crucial na mitigação das mudanças climáticas. A pesquisa estima que a restauração do bioma pode remover 2,38 bilhões de toneladas de CO2 da atmosfera, volume equivalente a todas as emissões do Brasil em 2023. Este dado faz parte de um estudo mais amplo, que examina os benefícios da restauração florestal no Brasil, considerando tanto os impactos ambientais quanto os econômicos.

Rafael Giovanelli, gerente de pesquisas do Instituto Escolhas, destaca a importância de uma estratégia de restauração produtiva: “O Cerrado é o berço das águas e o celeiro do mundo. Precisamos de uma abordagem que aproveite as vocações do bioma, restaurando as nascentes, produzindo alimentos e gerando emprego e renda. Nossos dados mostram que isso é viável”, afirma. “Apesar de a meta ter sido estabelecida em 2015, o país avançou pouco e chegará à COP30, em Belém, sem grandes resultados”, complementa.