Reacomodação partidária agita bastidores da Assembleia Legislativa de MS

Política

A reforma na composição dos partidos na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) já está em andamento e pode resultar em mudanças significativas nas bancadas. Uma das possibilidades é a extinção do PSDB, que atualmente detém a maior bancada, por meio de uma fusão com outras siglas, como PSD ou MDB.

Além da fusão, há também a possibilidade de o atual governador Eduardo Riedel e o ex-governador Reinaldo Azambuja, ambos do PSDB, assumirem a liderança do PL, cumprindo um acordo firmado com o ex-presidente Jair Bolsonaro. A mudança poderia levar membros do PSDB para o PL, o que geraria reações mistas tanto entre os tucanos quanto entre os liberais, especialmente por questões ideológicas e de base.

A deputada Lia Nogueira (PSDB), por exemplo, já se mostrou reticente quanto a essa migração, uma vez que é uma crítica dos bolsonaristas em Dourados. “Eu já avisei que teria que pensar muito nessa mudança”, afirmou a parlamentar.

No PL, a situação também é tensa. Enquanto alguns, como o deputado Coronel David, apoiam a chegada dos tucanos, outros, como o deputado João Henrique Catan, são veementemente contra. Catan acredita que essa fusão pode enfraquecer o partido e aumentar a polarização interna. “Seria um erro. Estamos entregando o partido aos nossos principais adversários”, afirmou.

Além dessas movimentações, outras fusões podem ocorrer, como a entre o Republicanos, do deputado Antonio Vaz, e o União Brasil, do deputado Roberto Hashioca, o que pode fortalecer esses partidos, atualmente com bancadas menores.

Os partidos PP, MDB e até o PSD são apontados como possíveis beneficiados dessa reforma política. Se o “maremoto político” se concretizar, esses partidos poderiam ganhar bancadas mais robustas, impactando a dinâmica do Legislativo Estadual.

Mesa Diretora

O presidente da Alems, deputado Gerson Claro (PP), reeleito para mais um mandato, já se prepara para um ano de intensa movimentação política, com um projeto de pré-candidatura ao Senado. Mesmo sem confirmar publicamente que o ano será agitado, Claro faz um apelo aos deputados para que a movimentação nos bastidores não afete os debates em plenário. “Vamos manter a harmonia entre os poderes com o governador e seguir trabalhando pelo desenvolvimento do Estado”, declarou.

Embora a reeleição da Mesa Diretora tenha sido realizada quase por aclamação, ela deixou claro que os bastidores prometem ser agitados, como é comum em anos pré-eleitorais. Até mesmo parlamentares de perfil mais moderado, como Paulo Duarte (PSB), indicaram que uma grande mudança está por vir no Legislativo Estadual. “A eleição da Mesa foi por consenso, mas há um clamor por mudanças nos próximos anos”, afirmou Duarte.

Foto: Wagner Guimarães/Alems