O Brasil enfrenta, atualmente, sua quinta onda de calor do ano, com temperaturas extremas atingindo, principalmente, as regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os termômetros devem ultrapassar os 40°C em diversos municípios nas próximas semanas, especialmente no Sul do país. Esse cenário é agravado pelas mudanças climáticas, que têm aumentado a frequência e a intensidade de eventos extremos, como ondas de calor prolongadas.
Diante desse desafio, o Governo Federal tem ampliado a articulação entre os ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Educação (MEC) e Saúde (MinSaúde) para conscientizar a população e implementar ações que minimizem os impactos do calor excessivo. O objetivo é proteger especialmente grupos vulneráveis, como idosos, crianças, gestantes e pessoas com doenças crônicas, além de preparar as cidades para lidar com os efeitos das mudanças climáticas.
Dados do Copernicus, observatório climático da União Europeia, revelam que a temperatura global em janeiro deste ano ficou 1,75°C acima dos níveis pré-industriais (1850-1900), reforçando a urgência de medidas adaptativas. No Brasil, o MMA tem liderado iniciativas como o Programa Cidades Verdes Resilientes, que busca aumentar a qualidade ambiental e preparar os municípios para enfrentar os impactos climáticos. O programa é baseado em seis eixos temáticos, incluindo arborização urbana, infraestrutura verde e gestão de resíduos.
Dentro desse programa, destaca-se a iniciativa AdaptaCidades, que oferece apoio técnico para que estados e municípios elaborem planos locais de adaptação climática. Até o momento, 21 estados já aderiram ao projeto, selecionando municípios com alto risco climático para receber capacitação e recursos.
Além disso, o Plano Clima, em elaboração por 23 ministérios, servirá como guia para as ações de enfrentamento às mudanças climáticas até 2035. O plano está estruturado em dois pilares: adaptação dos sistemas naturais e humanos aos impactos climáticos e mitigação das emissões de gases de efeito estufa.
Na área da educação, o MEC tem retomado as atas de registro de preços do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para a compra de ventiladores e, em breve, aparelhos de ar-condicionado para escolas. A medida visa garantir ambientes mais confortáveis e seguros para alunos e professores durante os períodos de calor intenso.
Impactos na Saúde e Recomendações
As ondas de calor representam um risco significativo para a saúde, especialmente para grupos vulneráveis. Sintomas como tontura, fraqueza, náuseas e desidratação são comuns durante esses períodos. Para se proteger, é essencial hidratar-se regularmente, evitar exposição ao sol entre 10h e 16h, usar roupas leves e buscar ambientes frescos.
O calor excessivo é ainda mais intenso em áreas urbanas devido ao fenômeno das ilhas de calor, onde a concentração de concreto e asfalto retém mais calor. Por isso, medidas como o aumento de áreas verdes e a implementação de infraestruturas sustentáveis são fundamentais para reduzir os impactos nas cidades.
Enquanto o Brasil enfrenta essa quinta onda de calor, a mobilização do governo e a conscientização da população são passos cruciais para construir resiliência e garantir a segurança de todos diante de um clima cada vez mais imprevisível.