PT/MS vive dilema entre continuar no governo Riedel ou entregar cargos

Política

O Partido dos Trabalhadores (PT) de Mato Grosso do Sul enfrenta uma discussão interna intensa sobre a continuidade de sua aliança com o governo estadual, após a possível entrada do governador Eduardo Riedel (PSDB) no PL, sigla ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Esse movimento pode intensificar a pressão interna para que o partido deixe os cargos que ocupa na administração estadual.

A situação já é tensa na bancada petista na Assembleia Legislativa (Alems), com o deputado Zeca do PT fazendo duras críticas à gestão estadual. Até mesmo o deputado Pedro Kemp (PT), geralmente mais comedido, expressou desconforto com a aproximação de Riedel com o bolsonarismo.

Por enquanto, o deputado federal Vander Loubet (PT/MS) é o único membro do partido a defender a permanência da aliança com Riedel, considerando que qualquer decisão deve ser tomada após uma avaliação mais aprofundada das mudanças no cenário político. No final de 2024, Loubet afirmou que seria necessário aguardar o desenrolar da situação antes de qualquer deliberação.

Críticas

Kemp, por sua vez, considera essencial que a participação do PT no governo seja debatida internamente, dado o crescente descontentamento com a aliança com Riedel e o ex-governador Reinaldo Azambuja, especialmente em relação ao estreitamento com o bolsonarismo, iniciado nas eleições municipais de 2024. “O principal objetivo eleitoral do PT é a reeleição de Lula, e o bolsonarismo é o adversário principal. Por isso, uma aproximação fica complicada”, argumentou Kemp.

O vice-presidente estadual do PT, Humberto Amaducci, também se posiciona contra a manutenção da aliança com Riedel, defendendo a saída do partido da base governista. “A maioria da militância petista está insatisfeita com os cargos, especialmente após os episódios de violência contra os povos indígenas. Os trabalhadores e a militância esperam que o PT mostre clareza sobre seu lado político”, afirmou Amaducci.

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