O verão brasileiro termina na próxima quinta-feira (20), porém, desde o início de 2025, o Brasil tem enfrentado ondas de calor persistentes, o que tem gerado questionamentos sobre a continuação desses eventos climáticos durante o outono. A presença do fenômeno La Niña ainda é uma dúvida para a meteorologia. Tradicionalmente, o La Niña é caracterizado pelo resfriamento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, fenômeno que influencia o clima global e, especialmente, o clima brasileiro. No entanto, neste ano, parece que o La Niña não se manifestou como esperado, ou sua atividade foi consideravelmente mais fraca, o que tem resultado em um comportamento climático atípico.
O La Niña, um dos principais fenômenos climáticos que modula as condições atmosféricas ao redor do mundo, altera diretamente os padrões de chuva e temperatura em diversas regiões, incluindo o Brasil. A expectativa para 2025 é que o fenômeno possa se manifestar de forma moderada ou que as condições do Pacífico permaneçam neutras, ou seja, sem a influência de La Niña ou El Niño. A dúvida sobre qual cenário prevalecerá gera apreensão sobre os possíveis efeitos para o clima, especialmente em estados como Mato Grosso do Sul, cuja capital, Campo Grande, experimenta variações climáticas significativas ao longo do ano.
Cenários climáticos para 2025
A previsão climática para 2025 ainda é incerta, mas dois cenários principais estão sendo considerados pelos meteorologistas:
Ativação do La Niña:
- Sul do Brasil: A presença do La Niña traz, geralmente, chuvas acima da média, com risco de enchentes.
- Nordeste do Brasil: A seca intensifica-se, com baixos índices de precipitação.
- Centro-Oeste, especialmente Mato Grosso do Sul: O fenômeno pode ocasionar irregularidade nas chuvas, além de temperaturas mais elevadas, caracterizando veranicos e períodos de calor intenso.
Condições neutras no Pacífico:
- Clima mais estável: Sem o La Niña ou El Niño, as condições climáticas seguem padrões mais próximos da média histórica, com menos extremos.
- Distribuição das chuvas: A expectativa é de chuvas dentro da normalidade, sem grandes picos de seca ou precipitações excessivas.
Impactos regionais no Brasil
Cada região do país poderá ser afetada de maneira distinta, conforme a ativação ou não do La Niña:
- Sul do Brasil: Sob o impacto do La Niña, a região pode enfrentar chuvas acima da média, com risco de enchentes, enquanto, com condições neutras, as chuvas deverão se manter dentro dos padrões normais.
- Nordeste: Sob La Niña, secas intensas são esperadas, enquanto em um cenário neutro, a região deve contar com menor risco de seca extrema.
- Centro-Oeste: A irregularidade nas chuvas e os veranicos caracterizam o La Niña. Em condições neutras, o clima seria mais estável, com chuvas regulares e previsíveis.
- Sudeste e Norte: Embora os impactos diretos possam ser menores, é possível que a distribuição das chuvas se altere.
O clima em Mato Grosso do Sul e Campo Grande
O estado de Mato Grosso do Sul, na região Centro-Oeste, tem um clima típico das zonas tropicais, sendo influenciado tanto por sistemas tropicais quanto por frentes frias que percorrem a região. A capital, Campo Grande, segue essa mesma dinâmica, com verões chuvosos e invernos secos. Para o ano de 2025, dependendo do cenário climático, os impactos serão notáveis, especialmente com a possibilidade de um La Niña mais forte ou a manutenção das condições neutras no Pacífico.
Cenário com La Niña (2025):
- Outono: O período pode ser marcado por uma redução gradual das chuvas, com a possibilidade de veranicos e aumento das temperaturas.
- Inverno: Seco e frio, com potencial para geadas, especialmente em áreas rurais.
Cenário com condições neutras (2025):
- Outono: As temperaturas devem se manter amenas, com uma redução progressiva das chuvas e umidade do ar mais baixa.
- Inverno: O inverno será seco e frio, mas sem extremos climáticos significativos, o que pode proporcionar mais previsibilidade para a agricultura e outras atividades.
Perspectivas e importância do monitoramento
O impacto do La Niña sobre o clima de 2025 é incerto, e a previsão de sua ocorrência ainda está em aberto. Caso o fenômeno se manifeste, pode gerar alterações significativas, principalmente no Sul e Nordeste do Brasil, com chuvas intensas e secas prolongadas, respectivamente. Para Mato Grosso do Sul e Campo Grande, a principal consequência do La Niña seria uma irregularidade nas chuvas e temperaturas mais elevadas durante o outono.
Por outro lado, em um cenário neutro, o clima seguiria padrões mais estáveis e próximos da média histórica, o que poderia ser mais favorável para as atividades agrícolas e outros setores. Portanto, acompanhar as atualizações de agências meteorológicas, como o CPTEC/INPE e a NOAA, será essencial para um melhor entendimento e previsão dos fenômenos climáticos, permitindo que as autoridades e a população se preparem adequadamente para os possíveis cenários que se desenharão em 2025.
Imagem: La Niña em dezembro de 2024 – Reprodução/NOAA