Nova classificação da OMS acelera diagnóstico e tratamento da síndrome de burnout

Bem-Estar

A síndrome de burnout ganha cada vez mais atenção no Brasil, especialmente com a recente atualização da Classificação Internacional de Doenças (CID) da Organização Mundial da Saúde (OMS), que entrou em vigor no primeiro dia de 2025. Essa mudança tem gerado discussões importantes sobre o diagnóstico e tratamento da doença, que afeta uma parcela significativa da população brasileira.

Desde 2022, a OMS passou a reconhecer a síndrome de burnout como uma doença ocupacional, e, segundo a Stress Management Association, 32% dos brasileiros sofrem com a condição. Em 2023, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) registrou o afastamento de 421 trabalhadores devido ao burnout, o maior número em dez anos. Esse cenário reforça a importância da nova classificação, que é vista por especialistas como uma etapa crucial para o reconhecimento e tratamento adequado da síndrome no Brasil.

A professora Regina Célia Fiorati, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, destaca que a mudança na classificação pode transformar a percepção sobre a doença, tanto entre trabalhadores quanto empregadores. Segundo ela, o trabalhador terá mais respaldo em relação aos seus direitos, enquanto as empresas terão de cumprir suas obrigações de maneira mais rigorosa. A nova classificação também promete tornar o tratamento mais ágil e eficaz, uma vez que facilitará o acesso a serviços de saúde e permitirá um acompanhamento contínuo por diferentes especialistas, como psiquiatras e terapeutas ocupacionais.

O que é?

A síndrome de burnout é caracterizada pela exaustão emocional extrema, um estado no qual o trabalhador se sente incapaz de lidar com as demandas de seu trabalho, muitas vezes levando à sensação de que seus esforços são inúteis. O termo “burnout” pode ser traduzido como “queimar para fora”, referindo-se à perda de energia e ao esgotamento emocional. Essa condição é desencadeada por um contato excessivo com as demandas emocionais de outras pessoas, como colegas de trabalho ou superiores, o que leva à sensação de esgotamento físico e psicológico.

A síndrome de burnout é multifacetada e se manifesta por três principais sintomas:

  • Exaustão emocional: O trabalhador sente que seus recursos emocionais foram totalmente consumidos, não conseguindo mais lidar com as situações cotidianas de trabalho.
  • Despersonalização: Surge uma atitude negativa e cínica em relação aos colegas de trabalho e às responsabilidades profissionais, gerando um distanciamento emocional.
  • Falta de envolvimento pessoal no trabalho: O indivíduo perde o interesse e a motivação em suas tarefas, afetando seu desempenho e a qualidade do trabalho.

A professora também critica a ausência de políticas públicas eficazes voltadas ao bem-estar dos trabalhadores no Brasil, um fator que contribui para o agravamento da síndrome. Ela destaca que áreas como a enfermagem, onde as taxas de burnout podem atingir até 60%, estão entre as mais afetadas.

No entanto, médicos, jornalistas, policiais e até mesmo estudantes de graduação e pós-graduação também enfrentam altos índices da doença. A falta de ações governamentais e estratégias organizacionais voltadas para a saúde mental e o bem-estar dos trabalhadores transforma o burnout em um problema de saúde pública, com sérias repercussões individuais, sociais e econômicas.

Com informações do Jornal da USP