O nitazeno é uma substância sintética que se destaca por sua potência, superando até mesmo a morfina e o fentanil. Apresentado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) na última sexta-feira (24), em Brasília (DF), o estudo “Nitazenos: Caracterização e Presença no Brasil” revela os perigos desta nova classe de substâncias psicoativas (NSP) e expõe dados sobre o uso crescente dessa droga, tanto no Brasil quanto internacionalmente.
A titular da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), Marta Machado, alertou: “A preocupação não está na disseminação da substância em si, mas na sua potência e nos perigos que ela representa. Nosso foco é monitorar esses riscos e nos preparar para um possível agravamento da situação.”
Estudo
O estudo tem como principal objetivo fornecer informações para a criação de políticas públicas de prevenção e mitigação, baseadas em dados científicos, visando reduzir os danos e riscos associados ao uso do nitazeno.
Entre as ações já implementadas, destacam-se o Subsistema de Alerta Rápido sobre Novas Drogas (SAR), o reforço do Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (Obid) e o iminente lançamento do Programa Nacional de Integração de Dados Periciais sobre Drogas (PNID), em parceria com a Polícia Federal (PF). Além disso, há uma colaboração com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc), com o intuito de apoiar países que ainda não possuem mecanismos consolidados de alerta urgente.
Elaborado pelo Centro de Estudos sobre Drogas e Desenvolvimento Social Comunitário (Cdesc), em colaboração com a Senad, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e o Unodc, o estudo visa incentivar a realização de mais pesquisas sobre o tema e monitorar o mercado de drogas ilícitas no país.
Baseado em revisões bibliográficas e dados de laboratórios forenses e Centros de Informação e Assistência Toxicológica, o estudo revela que a identificação de nitazenos nas apreensões tem sido crescente. Entre julho de 2022 e abril de 2023, 95% das amostras de drogas apreendidas pela Polícia Civil de São Paulo continham essas substâncias. Além de São Paulo, outros estados, como Minas Gerais e Santa Catarina, também registraram a presença de nitazenos, principalmente o metonitazeno, encontrado em forma de vegetais secos, indicando que a droga é consumida por via inalatória.
O documento sugere que a distribuição dessas substâncias está mais concentrada nas regiões Sul e Sudeste do Brasil e ressalta a necessidade de adotar medidas múltiplas para combater as NSP.
Carlos Eduardo Palhares Machado, diretor-técnico científico da PF, enfatizou: “Esse estudo mostra a importância de unirmos esforços para desenvolver informações que alertem sobre os perigos das drogas, possibilitando a criação de políticas públicas eficazes para enfrentar esse problema.”
Globalmente, desde 2019, países como Alemanha, Canadá, Estados Unidos, Estônia, Letônia, Reino Unido e Suécia foram os principais a reportar novas moléculas de nitazenos. A diretora do Unodc no Brasil, Elena Abatti, reforçou: “A preocupação com os nitazenos é global devido à sua alta potência e ao risco elevado de overdose, parada cardíaca e dependência. Compartilhar informações baseadas em evidências é crucial para enfrentar esse desafio.”
Nitazenos:
Os nitazenos são substâncias psicoativas derivadas do 2-benzilbenzimidazol, desenvolvidas inicialmente na década de 1950 como analgésicos, mas nunca comercializadas devido ao seu elevado potencial de abuso.
Sua potência é significativamente maior do que a de outros opioides, como a morfina, tornando o risco de overdose ainda mais alarmante. Seis compostos dessa classe estão atualmente controlados pela Convenção Única sobre Entorpecentes de 1961.