A Meta, controladora do Facebook, WhatsApp e Instagram, anunciou uma grande mudança no seu modelo de moderação de conteúdo. A empresa substituirá as agências de checagem de fatos profissionais por um sistema de notas da comunidade, inspirado no modelo utilizado pela plataforma X, de Elon Musk. Esta mudança, que começa nos Estados Unidos, pode ser expandida para outros países em breve.
A nova abordagem vai permitir que os próprios usuários das redes sociais da Meta, como Facebook e Instagram, participem da moderação de conteúdos, atribuindo notas e explicações sobre postagens, incluindo links e imagens. Esses relatos serão avaliados pela comunidade. A Meta justificou a mudança com a intenção de “reduzir erros” e simplificar suas políticas de conteúdo, embora essa medida possa gerar preocupações sobre o incentivo à proliferação de fake news nas redes sociais.
Como Funciona o Novo Sistema?
Atualmente, as redes sociais da Meta utilizam agências de checagem de fatos independentes para verificar a veracidade das informações. No entanto, a Meta afirma que o novo sistema de notas da comunidade permitirá um processo de moderação mais rápido e menos dependente de especialistas. Os usuários poderão submeter explicações sobre conteúdos, e esses relatos serão votados por outros membros da plataforma, com a possibilidade de destaque para os conteúdos mais votados.
A Meta diz que a medida visa “restaurar a liberdade de expressão”, citando que a moderação existente anteriormente resultava em censura excessiva, atingindo milhões de usuários. No entanto, especialistas alertam que essa nova abordagem pode facilitar a disseminação de desinformação e fake news, uma vez que nem todos os usuários têm os conhecimentos ou a responsabilidade necessários para avaliar a veracidade de uma informação de maneira adequada.
Polêmica em Torno da Moderação de Conteúdo Político e Sensível
Além da mudança no sistema de checagem de fatos, a Meta também anunciou uma moderação mais leve sobre temas como imigração e gênero, além de uma abordagem mais personalizada para conteúdos políticos. Desde 2021, a Meta havia reduzido o alcance de conteúdos políticos em suas plataformas, com base nas demandas de seus usuários. Contudo, com a nova política, as plataformas da Meta permitirão mais conteúdo político nos feeds dos usuários, atendendo àqueles que buscam mais liberdade para expressar opiniões políticas.
Embora a empresa tenha afirmado que a moderação continuará rigorosa em tópicos relacionados a temas graves, como terrorismo, drogas, golpes e exploração sexual, a inclusão de uma moderação mais flexível em assuntos menos polêmicos pode aumentar o risco de desinformação, principalmente em tempos de polarização política.
Zuckerberg
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Mark Zuckerberg se posicionou contra o que ele considera ser um ataque global à liberdade de expressão, mencionando leis e cortes que, segundo ele, instituem a censura em diversos países. O CEO da Meta criticou a União Europeia, acusando-a de implementar regulamentações que dificultam a inovação, e destacou o contexto da América Latina, onde, segundo ele, “cortes secretas” estariam pressionando empresas a removerem conteúdos sem transparência.
Zuckerberg também comentou sobre a censura imposta pela China, onde os aplicativos da Meta não funcionam, e afirmou que a única forma de combater esse cenário seria com o apoio do governo dos Estados Unidos.
Em um anúncio pouco comum, Zuckerberg, no vídeo, fala em se juntar ao Governo dos EUA para “lutar contra governos ao redor do mundo” que atacam empresas do país.
“Vamos trabalhar com o presidente Trump para resistir a governos ao redor do mundo, que vão contra empresas dos Estados Unidos, e que queiram censurar mais. (…). A Europa tem um crescente número de leis que institucionalizam a censura, tornando difícil criar qualquer coisa inovadora por lá. Países da América Latina têm cortes secretas, que exigem que companhias removam conteúdos na surdina. A China censura nossos apps de funcionarem lá. A única forma de resistir a essa tendência global é com o apoio do Governo do EUA”, disse Zuckerberg.
O Impacto da Mudança na Luta contra Fake News
Especialistas em combate à desinformação alertam que a substituição da checagem profissional por um sistema de notas da comunidade pode ter um efeito adverso. Enquanto os defensores da medida argumentam que ela vai permitir maior liberdade de expressão, críticos apontam que ela pode dar voz a narrativas falsas e prejudiciais, contribuindo para a proliferação de fake news.
O novo sistema de moderação será um experimento crucial para a Meta, que precisará equilibrar liberdade de expressão com a responsabilidade de combater a desinformação.