Um ataque aéreo israelense atingiu os subúrbios ao sul de Beirute nesta terça-feira (1º), matando quatro pessoas, entre elas um alto oficial do Hezbollah, segundo uma fonte de segurança libanesa. O ataque coloca em risco o já frágil cessar-fogo entre Israel e o grupo militante apoiado pelo Irã, acirrando as tensões na região.
O Exército israelense confirmou a morte de Hassan Bdeir, descrito como um membro de uma unidade conjunta do Hezbollah e da Força Quds iraniana. Segundo as autoridades israelenses, ele estava envolvido no planejamento de um “ataque terrorista iminente e significativo contra civis israelenses”, em colaboração com o grupo palestino Hamas.
A fonte de segurança libanesa afirmou que o alvo era uma figura do Hezbollah responsável pelo “arquivo palestino” – termo que se refere às operações do grupo relacionadas à causa palestina. O Ministério da Saúde libanês informou que, além do comandante, uma mulher e outras duas pessoas morreram no ataque, enquanto sete ficaram feridas.
O ataque ocorre poucos dias após outro bombardeio israelense na mesma região, um reduto do Hezbollah conhecido como Dahiyeh, no sul da capital libanesa.
Cessar-fogo sob ameaça
O acordo de cessar-fogo mediado pelos EUA em novembro do ano passado estabeleceu a retirada de combatentes e armas do Hezbollah do sul do Líbano, o envio de tropas libanesas para a área e a saída de forças israelenses. No entanto, ambos os lados acusam-se mutuamente de descumprir os termos.
A trégua vem se mostrando cada vez mais instável. Israel adiou uma retirada de tropas prevista para janeiro e, em março, afirmou ter interceptado foguetes lançados do Líbano, o que levou a novos bombardeios contra alvos no sul de Beirute e em outras áreas libanesas.
O Hezbollah negou qualquer envolvimento nos disparos de foguetes, enquanto o Departamento de Estado dos EUA declarou que Israel “estava se defendendo” e culpou “terroristas” pela retomada das hostilidades.
Reações
Ibrahim Moussawi, parlamentar do Hezbollah, classificou o ataque como “uma grave agressão que eleva a situação a um novo patamar”. Em declaração televisionada, ele pediu que o governo libanês intensifique esforços diplomáticos para conter a escalada.
O chanceler israelense, Gideon Saar, defendeu a ação, afirmando que o alvo representava “uma ameaça real e imediata”. Ele ainda cobrou que o Líbano “tome medidas contra grupos terroristas que operam em seu território”.
O presidente libanês, Michel Aoun, condenou o ataque, chamando-o de “sinal perigoso” de intenções israelenses contra o Líbano. Já o primeiro-ministro Najib Mikati afirmou que o bombardeio viola a Resolução 1701 da ONU e o acordo de cessar-fogo.
Cenário de destruição
O ataque danificou gravemente os três últimos andares de um prédio residencial, com varandas totalmente destruídas, segundo um repórter da Reuters no local. Vidros dos andares inferiores permaneceram intactos, indicando um ataque de precisão. Ambulâncias trabalharam no resgate das vítimas.
Testemunhas relataram que não houve alerta prévio de evacuação, e muitas famílias fugiram para outras áreas de Beirute após o bombardeio. O incidente reacende temores de uma nova escalada militar entre Israel e o Hezbollah, com repercussões regionais imprevisíveis.
Foto: Mohamed Azakir/Reuters