O Boletim InfoGripe, divulgado pela Fiocruz, reforça o alerta da edição anterior, que aponta uma crescente nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em todo o Brasil, especialmente entre crianças e adolescentes de até 14 anos. As regiões de destaque incluem o Distrito Federal e Goiás, onde os números de incidência dessa faixa etária atingem níveis de alta a moderada.
A análise, que cobre o período de 9 a 15 de fevereiro (Semana Epidemiológica 14), indica que o aumento de casos coincide com o retorno às aulas. O estudo aponta que, entre as crianças pequenas, com até dois anos, a principal causa da SRAG está associada ao Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Tatiana Portella, pesquisadora do Programa de Computação Científica da Fiocruz e integrante do Boletim InfoGripe, explica que o crescimento dos casos está diretamente relacionado ao fato de que, com a volta às aulas, as crianças passam mais tempo em ambientes fechados e com maior interação, o que favorece a transmissão dos vírus respiratórios.
A SRAG é uma complicação das síndromes gripais que resulta em comprometimento da função respiratória. Dentre os vírus que causam esse quadro, os mais predominantes são os da influenza A e B, o VSR e o Sars-CoV-2 (Covid-19), entre outros agentes.
Em relação às orientações para as crianças e adolescentes, a recomendação é que pais ou cuidadores evitem enviar os pequenos para a escola caso apresentem qualquer sintoma de síndrome gripal. Caso o isolamento domiciliar não seja possível e não haja outra pessoa para cuidar da criança, sugere-se que ela utilize uma boa máscara caso precise frequentar a escola.
Com relação aos idosos, que estão vendo um aumento nos casos de Covid-19 em algumas regiões, a Fiocruz reforça a importância da vacinação anual contra o vírus, especialmente para os grupos prioritários, como os idosos, que precisam se vacinar a cada seis meses. O uso de máscara é recomendado principalmente nos estados com aumento de SRAG, especialmente em locais fechados e com aglomeração de pessoas, além de unidades de saúde.
Panorama nos Estados e Capitais
Em uma análise mais detalhada, o boletim revela que, em termos nacionais, as tendências de longo e curto prazo (últimas seis e três semanas, respectivamente) apontam para o aumento de SRAG. Sete estados estão em alerta ou risco devido à atividade de SRAG até a Semana Epidemiológica 7: Amazonas, Distrito Federal, Goiás, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins. Desses, quatro – Distrito Federal, Goiás, Sergipe e Tocantins – apresentam também aumento de casos de SRAG.
Nos estados das regiões Norte e Centro-Oeste, como Mato Grosso, Rondônia e Tocantins, além de Sergipe, há uma manutenção do aumento de casos de SRAG, com sinais típicos de Covid-19. Já em outros estados do Norte, como Amapá, Pará e Maranhão, a incidência de SRAG associada à Covid-19 apresenta sinais de desaceleração ou queda. Nos estados de Goiás e Distrito Federal, o aumento de casos segue em alta, principalmente entre crianças e adolescentes de até 14 anos.
Em termos de capitais, o boletim destaca que oito das 27 capitais estão com nível de alerta, risco ou alto risco de SRAG nas últimas duas semanas, até a Semana Epidemiológica 7: Aracaju (SE), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Cuiabá (MT), Goiânia (GO), Palmas (TO), Teresina (PI) e Porto Velho (RO). Destas, sete apresentam crescimento de casos de SRAG, sendo elas Aracaju (SE), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Cuiabá (MT), Goiânia (GO), Palmas (TO) e Teresina (PI).
Ano Epidemiológico 2025
Em relação ao ano epidemiológico de 2025, o boletim revela que até o momento foram registrados 11.037 casos de SRAG, com 3.721 (33,7%) tendo resultados positivos para vírus respiratórios. Desses casos positivos, 6,6% são de influenza A, 3% de influenza B, 12,4% de VSR, 20,2% de rinovírus e 50,2% de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Nas últimas quatro semanas, a predominância continua sendo para o Sars-CoV-2, com 50,6% dos casos, seguido pelo rinovírus (19,5%), VSR (14,7%), influenza A (7%) e influenza B (2,1%).
Foto: Tony Winston/Agência Brasília