De acordo com a análise da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), baseada nos dados divulgados na última sexta-feira (7) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o setor de carne bovina alcançou o melhor resultado para o mês de janeiro desde o início da série histórica. Foram exportadas 209.192 toneladas do produto, destinadas a 114 países, gerando uma receita de US$ 1,002 bilhão. Este desempenho reflete a continuidade da trajetória de crescimento observada durante todo o ano de 2024.
Em comparação com janeiro do ano passado, o volume exportado teve um crescimento de aproximadamente 2%, enquanto o faturamento aumentou em 11,4%. Esse aumento foi impulsionado por uma valorização do preço médio, que ficou 9,4% mais alto que no mesmo período de 2024. A valorização foi generalizada em praticamente todos os principais mercados compradores, atingindo a melhor média desde junho de 2023.
Os embarques para a China, principal destino da carne bovina brasileira, apresentaram uma leve redução tanto em relação ao mês anterior quanto ao mesmo mês de 2024, totalizando 92.797 toneladas e gerando uma receita de US$ 452 milhões. Por outro lado, os Estados Unidos, segundo maior comprador, reduziram suas importações para 18.974 toneladas, com faturamento de US$ 106,6 milhões, o que representa uma queda de cerca de 8,5% na comparação com janeiro de 2024. Em contrapartida, a União Europeia aumentou suas compras em 82,6% em relação a dezembro de 2024, somando 9.270 toneladas e movimentando US$ 69,7 milhões.
Um destaque importante foi o crescimento expressivo da Argélia, que registrou um aumento de 204% no volume importado, totalizando 8.059 toneladas e gerando US$ 42,9 milhões em faturamento. Para o presidente da Abiec, Roberto Perosa, o sucesso do setor está relacionado aos esforços conjuntos do setor privado e do governo, especialmente nas negociações para aumentar a vida útil (shelf-life) dos produtos brasileiros, o que abriu novas oportunidades para a indústria nacional e contribuiu para o crescimento das exportações.
Em relação à queda nas compras dos Estados Unidos e ao aumento das exportações para a União Europeia, Perosa explica que esse movimento reflete as dinâmicas naturais do mercado. “Os Estados Unidos apresentaram um estoque maior de carne interna no início do ano, o que naturalmente reduziu a demanda por importações. Além disso, o consumo global é sempre influenciado pelas condições econômicas e pelas estratégias comerciais de cada país. No caso da União Europeia, o aumento das compras foi impulsionado pela reposição de estoques e pela competitividade do produto brasileiro”, afirmou Perosa.