A primeira edição do Boletim de Monitoramento Agrícola (BMA), de 2025, revela que as chuvas intensas nas principais regiões produtoras do Brasil, impactaram de maneiras diversas os cultivos. Enquanto algumas áreas experimentaram volumes elevados de precipitação, o que afetou a maturação e a colheita das lavouras mais avançadas, em Mato Grosso do Sul, a escassez de chuvas causou estresse hídrico, limitando o desenvolvimento de algumas plantações.
A análise dos dados espectrais indica que, em sua maioria, as condições para o crescimento das lavouras são favoráveis, com o índice de vegetação da soja, embora afetado pelo atraso na semeadura, se mantendo em níveis comparáveis ou superiores ao registrado na safra anterior e à média histórica. Esse desempenho positivo deve-se, em parte, ao plantio mais concentrado e às condições climáticas favoráveis.
Contudo, em Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul, observou-se uma desaceleração no crescimento vegetativo, devido às condições climáticas adversas que afetaram o desenvolvimento da cultura nos últimos dias.
Quanto aos cultivos irrigados, como o arroz, as condições são favoráveis em todo o país, impulsionadas pela elevada incidência de radiação solar. No entanto, no Rio Grande do Sul, os níveis de água nos reservatórios para irrigação diminuíram, o que exigiu a prática de irrigação intermitente em algumas lavouras.
Estresse hídrico em MS
Após enfrentar um período de estresse hídrico, a colheita da soja da safra 2024/2025 teve início em Mato Grosso do Sul no dia 29 de janeiro, conforme informou a Aprosoja/MS. Até o momento, 8% da área total foi colhida, com a região Sul liderando, com 10,2% da área já recolhida, seguida pela região Centro, com 7,6%. A região Norte ainda não iniciou a colheita.
De acordo com a avaliação semanal do Boletim Siga/MS, cerca de 1,7 milhão de hectares estão sob estresse hídrico, o que representa 38,9% da área total. No entanto, chuvas recentes ajudaram a estabilizar as condições das lavouras nas regiões mais afetadas pela estiagem, conforme relatado por Gabriel Balta, coordenador técnico da Aprosoja/MS.
A falta de chuvas afetou especialmente a região Sul, onde cerca de 30 municípios estão abaixo da produtividade média estadual. Em 17 de janeiro, aproximadamente 55% das lavouras estavam em estádios fenológicos críticos, com 23% das lavouras em enchimento de grãos, 29% com grãos cheios e 3% no início da maturação. A maior parte dessas lavouras encontra-se na região Sul, que costuma iniciar o plantio de soja mais cedo.