A senadora Soraya Tronicke (Podemos), relatora da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga irregularidades no setor das apostas esportivas, anunciou que a comissão está trabalhando em uma alteração legislativa para lidar com o problema das “Bets”. Tronicke revelou ter recebido uma minuta de projeto de lei e adiantou que a CPI apresentará uma proposta com pedido de tramitação especial para acelerar o processo e minimizar os danos causados pelo setor. A CPI das Bets, que opera em conjunto com a CPI da Manipulação de Resultados e Apostas Esportivas, tem autorização para funcionar até 30 de abril, enquanto a CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas vai até 15 de fevereiro.
Apesar do recesso parlamentar, uma equipe da comissão seguiu trabalhando na análise de depoimentos e documentos obtidos. A senadora destacou que, mesmo diante de ameaças e ataques pessoais, a CPI não será interrompida. “A população brasileira precisa saber: vamos até o fim, independentemente das investidas contra nós”, declarou, revelando que tem circulado com segurança devido à gravidade das ameaças.
Tronicke alertou que a CPI das Bets foca em um problema social grave, envolvendo o crime organizado, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A comissão também deve convocar influenciadores que promovem apostas online em suas redes sociais. A senadora defendeu uma regulamentação mais rígida para o setor e reconheceu as dificuldades de criar barreiras digitais no país. Ela ainda é autora de um projeto de lei que visa impedir apostas em quota fixa por beneficiários de programas sociais (PL 3.757/2024).
Por sua vez, o senador Dr. Hiran (PP-RR), presidente da CPI, indicou a possibilidade de prorrogação dos trabalhos devido ao volume de informações sendo analisadas. Ele reafirmou que a comissão tem o objetivo de proteger os brasileiros e alertou que o Congresso precisa avançar na regulamentação da atividade. Hiran também lembrou que, apesar da seriedade das investigações, a CPI busca evitar prejuízos à reputação de pessoas ou empresas inocentes e continuará ouvindo diversas partes envolvidas, incluindo questões relacionadas à saúde mental e segurança de crianças e adolescentes.