Ciência: Peixe Cultivado em Laboratório Pode Permitir que Alérgicos Consumam sem Riscos

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Peixes cultivados em laboratório podem permitir que pessoas alérgicas voltem a consumir frutos do mar sem riscos, revela um estudo conduzido por cientistas da James Cook University (JCU) e apresentado no Congresso Mundial de Alergia, no final de março. A pesquisa analisou a presença de 12 alérgenos em peixes cultivados e constatou que a parvalbumina, principal proteína responsável por reações alérgicas, foi reduzida em até mil vezes nesses produtos.

Em peixes convencionais, essa proteína está presente em grandes quantidades e é a principal causadora de alergias, que variam desde sintomas leves até reações graves, como a anafilaxia. O estudo, desenvolvido em parceria com o Good Food Institute (GFI) e a empresa Umami Bioworks, avança com planos de lançar os primeiros produtos de peixe cultivado nos próximos anos, com foco inicial em bolinhos de peixe e frutos do mar de baixo risco alérgico.

Testes com crianças alérgicas demonstraram pouca ou nenhuma reação adversa ao peixe cultivado. No entanto, os pesquisadores ressaltam que nem todos os alérgicos poderão consumi-lo sem preocupação, sendo necessárias mais pesquisas e aprovações regulatórias. Ainda assim, a equipe avalia que essa pode ser uma solução revolucionária para quem antes não tinha acesso a frutos do mar por questões de saúde. O estudo completo está disponível no The Journal of Allergy and Clinical Immunology.

A Revolução dos Alimentos Sintéticos

Enquanto a ciência busca alternativas para alergênicos, também avança na produção de alimentos sintéticos, uma resposta à crescente demanda global por comida sustentável. Com mais de 8 bilhões de pessoas no planeta, alimentar a população de forma eficiente e sem desperdício tornou-se um desafio urgente.

Laboratórios já produzem carne sintética com o mesmo sabor e textura da carne animal – Foto: Reprodução/Web

Um dos exemplos mais notáveis é o leite sintético. Hoje, mais de 80% da população mundial consome laticínios, e cientistas já desenvolveram um leite idêntico ao de vaca, mas produzido sem animais. Isso não significa o fim da pecuária tradicional, mas uma transição gradual, dependendo da aceitação do consumidor, do custo e do sabor.

Outra inovação vem da Dinamarca, onde pesquisadores criaram um chantili feito a partir de bactérias, com teor de gordura significativamente menor do que as versões tradicionais (38% em laticínios e 25% em opções de coco ou palma).

Já na Finlândia, cientistas desenvolveram bactérias que consomem hidrogênio do ar, gerando uma substância versátil que pode ser transformada em diversos alimentos. No futuro, essas técnicas poderão ser aplicadas em fábricas movidas a energia renovável, eliminando a necessidade de fertilizantes e reduzindo drasticamente a poluição.

Esses avanços também podem beneficiar a alimentação animal, diminuindo a dependência de monoculturas como soja e milho, que demandam irrigação intensiva e causam perda de biodiversidade.

O que parece ficção científica já é realidade: o leite sintético, por exemplo, já está disponível em alguns mercados. Essa transformação promete não só mudar a forma como nos alimentamos, mas também revolucionar a agricultura, marcando a maior mudança no sistema alimentar desde a invenção do arado, há mais de 5 mil anos.

Foto de capa: James Cook/University Australia

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