Nota técnica divulgada pelo Ministério da Saúde aponta que, em 2025, o Brasil pode enfrentar uma elevação significativa nos casos de arboviroses, com incidência superior à observada em 2024. Além das estratégias de imunização, o documento traz uma série de recomendações aos gestores estaduais para conter o avanço da dengue no país.
As modelagens preditivas indicam que o aumento nos casos poderá afetar especialmente os estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Tocantins e Paraná.
Recomendações para gestores locais:
- Notificar imediatamente casos suspeitos de dengue e chikungunya, registrando os dados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan);
- Investigar prontamente óbitos suspeitos, reorganizando fluxos de atendimento para evitar novas fatalidades;
- Implementar ações de bloqueio de transmissão assim que forem detectados os primeiros casos suspeitos;
- Realizar visitas domiciliares para eliminar criadouros do mosquito transmissor;
- Ampliar horários de atendimento e reforçar a atenção básica, especialmente para o manejo de casos leves, sem comprometer a oferta de leitos para casos graves;
- Atualizar equipes para diagnóstico e manejo clínico das arboviroses.
O Ministério também ressalta a importância de conscientizar a população sobre a eliminação dos focos do Aedes aegypti nas residências, que é a medida mais eficaz no combate às doenças. Além disso, orienta que as pessoas busquem atendimento médico ao surgirem sintomas como febre, dores no corpo e nas articulações, e sinais de alerta.
De acordo com o Ministério da Saúde, a colaboração da comunidade é crucial para o controle do mosquito, já que cerca de 75% dos focos de dengue estão dentro das residências.
Plano de contingência renovado
Em janeiro, o Ministério anunciou a criação do Centro de Operações de Emergência em Saúde (COE) para Dengue e outras Arboviroses. A iniciativa visa intensificar o monitoramento e orientar as ações voltadas para a vigilância epidemiológica, controle de vetores e assistência à saúde.
No mesmo dia, foi lançado o Plano de Contingência Nacional para Dengue, Chikungunya e Zika (2025), que revisa e amplia a versão anterior de 2022, com o objetivo de fortalecer as estratégias de prevenção, resposta e preparação para futuras epidemias.
Em coletiva de imprensa, a ministra da Saúde, Nísia Trindade, destacou a importância do trabalho conjunto entre as esferas federal, estadual e municipal no combate à dengue, especialmente no que diz respeito à limpeza urbana.
“Além das medidas preventivas, o papel dos municípios é fundamental, principalmente no que se refere à limpeza das cidades e outras ações essenciais para o controle da doença”, afirmou a ministra.
O plano também sublinha que a Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS/MS) coordena o cuidado e as ações nos serviços de saúde, abrangendo diagnóstico, tratamento, prevenção e vigilância.
Vacinação e Monitoramento
O MinSaúde informou, ainda, que 9,5 milhões de doses da vacina contra a dengue foram adquiridas para 2025, como parte das ações complementares ao controle das arboviroses. Até agora, 5,5 milhões de doses foram enviadas aos estados e ao Distrito Federal, com 3,14 milhões de doses aplicadas em 2024.
Por conta de limitações na produção, ainda não há doses disponíveis em grande escala.
Em 13 de janeiro, o Ministério iniciou o envio de equipes técnicas para quatro estados com o objetivo de apoiar as ações locais de controle. As visitas começaram em Vitória (ES), São José do Rio Preto (SP), e Rio Branco (AC), com Foz do Iguaçu (PR) programada para o dia 14.