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Arboviroses: Ministério da Saúde prevê incidência elevada de casos em 2025

Geral

Em 2025, o Brasil pode experimentar uma incidência mais alta de arboviroses do que o observado em 2024, conforme aponta uma nota técnica do Ministério da Saúde (MinSaúde). O documento, com base em modelagens preditivas, prevê um aumento de casos de doenças como dengue, chikungunya e zika em vários estados, incluindo Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Tocantins e Paraná.

A continuidade do fenômeno El Niño, que deve persistir ao longo de 2025, é uma das principais causas para o aumento esperado de arboviroses no Brasil. O impacto do El Niño altera o clima e cria condições favoráveis à proliferação do mosquito Aedes aegypti, principal vetor dessas doenças. Segundo o MinSaúde, o evento climático de 2023 foi um alerta para o crescimento de casos de arboviroses, e sua continuidade mantém o alerta para 2025.

Ameaça do Sorotipo 3 da Dengue

Outro fator de preocupação é a circulação crescente do sorotipo 3 da dengue nas últimas semanas de 2024. Esse sorotipo não registrava incidência significativa no Brasil desde 2008 e, devido à falta de imunidade da população, pode gerar um aumento no número de casos de dengue.

Estados como Amapá, São Paulo e Minas Gerais já apresentam registros desse sorotipo, o que preocupa as autoridades de saúde.

Recomendações para Gestores Locais

Diante da previsão de aumento nos casos de arboviroses em 2025, o Ministério da Saúde apresentou orientações aos gestores locais para controlar a transmissão e reduzir os impactos. Entre as recomendações estão:

1 – Notificação imediata de casos suspeitos de dengue e chikungunya, com inclusão dos dados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan);

2 – Investigação rigorosa de óbitos suspeitos e reorganização dos fluxos de atendimento;

3 – Ações de bloqueio de transmissão logo após a identificação de casos suspeitos;

4 – Visitas domiciliares para eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti;

5 – Ampliação dos horários de atendimento e organização da atenção básica para manejar casos leves e graves de arboviroses;

6 – Capacitação de equipes para diagnóstico e manejo clínico adequado.

Cenário Epidemiológico de 2024

Em 2024, o Brasil registrou 6.486.639 casos prováveis de dengue, o que representa um aumento alarmante de 303% em comparação com 2023. A Região Sudeste foi a mais afetada, concentrando 59% dos casos, com destaque para São Paulo, onde o número de casos cresceu quase quatro vezes em relação ao ano anterior. Os casos de chikungunya também aumentaram 68,9%, totalizando 267.352 notificações, com destaque para as regiões Sudeste e Centro-Oeste.

Com o aumento da circulação de arbovírus, a intensificação da vigilância e ações preventivas são fundamentais para conter o avanço das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. A sociedade e os gestores públicos devem trabalhar juntos para evitar que 2025 seja um ano de crise para a saúde pública no Brasil, avaliam os especialistas.