A crescente demanda por fretes continua a afetar diretamente a movimentação de produtos agropecuários no Brasil, de acordo com o Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta semana. O relatório revela que o aumento da procura por serviços de transporte, somado à escassez de prestadores de serviço e ao impacto dos reajustes no preço do diesel, tem impulsionado os custos de frete em diversas regiões do país. Os estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Paraná, Piauí e São Paulo estão entre os mais afetados.
Em Mato Grosso, a intensificação da colheita, aliada aos custos elevados, resultou em um aumento substancial nos preços dos fretes no final de fevereiro. No Piauí, os valores subiram consideravelmente, com destaque para o início antecipado da colheita da soja, que provocou um aumento de 39% nos preços médios. No Maranhão, os custos de transporte também subiram em 26,8%, impulsionados pelo aumento dos embarques de soja via sistema multimodal da VLI, na rota de Balsas ao Terminal Portuário de São Luís.
Na Bahia, embora algumas praças tenham registrado aumentos devido à maior demanda por fretes, o município de Irecê observou uma redução nos preços, reflexo de uma maior oferta de prestadores de serviço. Em São Paulo, os valores dos fretes subiram levemente, mas seguiram nos maiores níveis históricos recentes, devido à forte concorrência por caminhões com outras regiões produtoras. No Paraná, o aumento no preço da soja teve um impacto direto nos custos de transporte, com aumentos de 20% em Campo Mourão, 19,35% em Cascavel e 11,94% em Ponta Grossa.
Nos estados do Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso do Sul, também houve aumentos expressivos nos custos de frete em fevereiro, impulsionados pela maior demanda, pela alta do diesel e pela revisão na tabela de fretes. Em Goiás, a escassez de caminhões, somada à elevada demanda por transporte para os portos de Santos e Paranaguá, refletiu diretamente nos preços. No Distrito Federal, os aumentos ficaram entre 12% e 15%, com destaque para as rotas de Araguari (MG), Santos (SP) e Imbituba (SC). Já em Mato Grosso do Sul, os preços elevados foram impulsionados pela colheita das culturas de verão e pela alta no ICMS, tornando o escoamento da safra mais caro.
Portos e Exportação
Segundo o Boletim Logístico, a exportação de milho em fevereiro foi inferior à registrada no mesmo período de 2024, enquanto os embarques de soja mais que dobraram em relação ao ano passado. O Porto de Santos, o Arco Norte e o Porto de Paranaguá foram os principais pontos de escoamento dessas commodities. A demanda aquecida por transporte, aliada aos desafios logísticos, segue pressionando os custos de escoamento.
A importação de fertilizantes também registrou aumento nos primeiros meses de 2025, impulsionada pela preparação para o plantio da segunda safra de milho e dos cereais de inverno. Os portos do Arco Norte ampliaram sua participação nas importações, enquanto Paranaguá e Santos mantiveram volumes semelhantes aos de 2024.
Em relação ao farelo de soja, as projeções de exportação continuam a impulsionar o esmagamento da oleaginosa, criando uma disputa acirrada com os Estados Unidos e a Argentina. No acumulado de janeiro e fevereiro, as exportações de farelo de soja se mantiveram próximas ao volume registrado no ano passado, com Santos, Paranaguá e Rio Grande liderando a movimentação.
O Boletim Logístico da Conab é uma publicação mensal que oferece uma análise detalhada sobre a logística agropecuária em dez estados produtores, abordando o escoamento da safra, as principais rotas utilizadas, a movimentação de cargas e o desempenho das exportações dos principais produtos agrícolas do Brasil. A edição completa do boletim está disponível no portal da Companhia.