Apesar das dificuldades enfrentadas pelo agronegócio em Mato Grosso do Sul, o presidente do Sindicato Rural de Campo Grande, Alessandro Coelho, mantém a esperança de recuperação em 2025. “Já vemos a arroba retornando aos níveis de 2022, mas o produtor precisa estar atento às flutuações do mercado. Com o apoio certo, podemos superar as adversidades e retomar o crescimento”, afirma.
O ano de 2024 foi marcado por sérios desafios no setor agrícola do Estado, devido a combinação de fatores climáticos e econômicos que impactaram a produtividade e a sustentabilidade financeira dos produtores. Coelho ressalta que a produção de soja e milho foi especialmente afetada, com a safra e safrinha comprometidas, além da queda nos preços das commodities. “A produtividade ficou bem abaixo do esperado. As dificuldades atingiram quase todos os setores, exceto cana-de-açúcar e eucalipto. Até mesmo a laranja, uma cultura promissora, sofreu com as altas temperaturas”, explica.
A globalização e os estoques internacionais geraram desajustes econômicos. “Houve casos de recuperação judicial de empresas inesperadas, e o impacto dos custos dolarizados dos insumos agravou ainda mais a situação”, observa Coelho. No entanto, a carne brasileira continua competitiva no mercado internacional, devido à sua qualidade e preço.
Embora a diversificação tenha sido uma estratégia adotada pelos produtores, o clima adverso de 2024 evidenciou a vulnerabilidade dessa abordagem. “Precisamos explorar novas alternativas”, aponta Coelho, sugerindo mais inovação e maior colaboração com instituições de pesquisa, como a Embrapa.
A suinocultura é um dos segmentos com maior potencial. “A suinocultura de Mato Grosso do Sul é a melhor do Brasil”, destaca Coelho, elogiando a eficiência do setor e suas práticas sustentáveis, como a irrigação de alta qualidade e a redução da emissão de carbono.
Coelho também vê grande potencial na bovinocultura de leite, especialmente com a introdução de novas linhas de crédito, como o FCO Leite. “Esse setor pode se tornar uma alternativa viável para pequenos e médios produtores, ajudando a reaquecer a economia rural, mas exige dedicação e infraestrutura”, alerta.
Para aumentar a produtividade no futuro, é fundamental investir em tecnologias de controle de temperatura e manejo adequado, especialmente diante do calor extremo. “Assim como buscamos conforto em nossas casas, os animais também precisam de condições adequadas para produzir de forma eficiente”, conclui Coelho.