2024: Inflação foi mais baixa para famílias com renda de até cinco salários mínimos, diz IBGE

Economia

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira (10) os dados sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação das famílias com renda de até cinco salários mínimos. O índice teve uma alta de 0,48% em dezembro, superando o resultado de novembro (0,33%). Em dezembro de 2023, o INPC havia sido de 0,55%.

Em 2024, o INPC fechou o ano com um aumento de 4,77%, impulsionado principalmente pelo grupo Alimentação e Bebidas, que acumulou alta de 7,60% no período de 12 meses, gerando um impacto de 1,83 pontos percentuais (p.p.) sobre o INPC anual. Este índice ficou 0,12 p.p. acima do teto da meta estabelecida pelo Banco Central. O grupo Transportes, que teve alta de 3,77% em 2024, foi o segundo maior responsável pelo impacto no INPC, com 0,74 p.p.

Em comparação, o INPC de 2023 foi de 3,71%, e o de 2022 teve um aumento de 5,93%, mais alto que os dois últimos anos.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que reflete a inflação de todas as faixas de renda, foi de 0,52% em dezembro de 2024, superior ao resultado de novembro (0,39%), mas abaixo de dezembro de 2023 (0,56%). Ao longo de 2024, o IPCA acumulou uma alta de 4,83%, superando a inflação de 2023, que foi de 4,62%, e ultrapassando o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 0,33 p.p.

Fernando Gonçalves, gerente de pesquisa do IBGE, afirmou que os grupos de bens e serviços analisados apresentaram comportamentos semelhantes nos dois índices. No entanto, algumas diferenças são observadas no impacto de itens como planos de saúde e passagens aéreas, que têm menor peso no orçamento das famílias de menor renda.

Entre os itens que mais impactaram a inflação de 2024, destaca-se o grupo Alimentação e Bebidas, que teve alta de 7,69%, gerando um impacto de 1,63 p.p. sobre o IPCA anual. Outros grupos, como Saúde e Cuidados Pessoais (6,09%) e Transportes (3,30%), também contribuíram significativamente para a inflação, com impactos de 0,81 p.p. e 0,69 p.p., respectivamente. Juntos, esses três grupos foram responsáveis por cerca de 65% da inflação de 2024.

Entre os subitens, a gasolina teve o maior impacto individual no IPCA de 2024, com uma alta de 9,71%, que contribuiu com 0,48 p.p. para a inflação. Outros destaques incluem o aumento do Plano de Saúde (7,87%) e o custo das Refeições fora do domicílio (5,70%). Por outro lado, itens voláteis como as passagens aéreas ajudaram a reduzir a inflação, com uma queda de 22,20%, o que resultou em uma contribuição negativa de -0,21 p.p. ao IPCA.

Em relação às localidades, São Luís registrou a maior inflação acumulada de 2024, com 6,51%, principalmente devido aos aumentos nos preços da gasolina (14,24%) e das carnes (16,01%). Belo Horizonte (5,96%) e Goiânia (5,56%) também apresentaram altas expressivas. A região metropolitana de São Paulo, que tem o maior peso no IPCA nacional, teve inflação de 5,01%, enquanto o Rio de Janeiro registrou 4,69%. Porto Alegre foi a localidade com a menor inflação, de 3,57%, beneficiada pelas quedas nos preços de produtos como a cebola (-42,47%) e o tomate (-38,58%).

O IPCA é calculado para as famílias com rendimentos entre 1 e 40 salários mínimos, enquanto o INPC abrange as famílias com rendimentos de até 5 salários mínimos. Ambos os índices são coletados em diversas regiões metropolitanas do Brasil. O próximo resultado do IPCA, referente a janeiro de 2025, será divulgado em 8 de fevereiro.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil